terça-feira, 10 de abril de 2012



Um dia você conhecerá um cara que te chamará de linda. Primeiro de linda, depois de gostosa. Mas não é aquele cara que só chama de gostosa, tesuda e só quer trepar com você. Assim mesmo, trepar e tchau. Dá pra sacar quando um homem quer trepar e tchau. É fácil de detectar. Ok, se você quer trepar e tchau, então trepa e tchau. Eu estou falando de algo mais. Do que faz trepar e oi. Trepar e ficar. E ficar abraçado. E ficar conversando. E ficar sonhando junto. E ficar querendo ficar mais e mais (e trepar mais e mais?). Um cara que queira você como você é. Que você não precise impressionar. Que seja inteligente. Educado. Delicado. Na medida certa. Nem mais, nem menos. Que entenda seus momentos de fúria. Que ache você bonita mesmo descabelada. E suada. Que respeite seus momentos de raiva. Que saiba a hora exata de se abaixar para não ser atingido com algum objeto pontiagudo ou cortante. Que se importe com você. Que não goste de discutir, mas que escute todas as baboseiras malucas que você está a fim de falar. Que não seja chinelão demais, mas que não seja engomadinho demais. Que seja lindo. E cheiroso. E gostoso. Que fale de você para a mãe dele. Que diga que vai proteger você de animais selvagens como lagartixa, barata e sapos. Que não tenha medo de dizer que tem medo de algumas coisas. Que não fique dando uma de machão, ele pode ser fraco com você. Pode pedir ajuda pra você. Pode pedir conselhos pra você. E você dará com o maior prazer. Um dia você conhecerá um cara que fará você acreditar que vale a pena o esforço. Vale a pena alguma lágrima que cai. Vale a pena esperar por ele. Vale a pena sonhar, acordada ou não, com ele e com tudo que virá e com a forma que você quer que tudo seja. Aquele cara que conhece você. Que admira você. Que respeita você. Que tem intimidade com você. Liberdade. Que vai achar você linda mesmo que você não tenha passado um rímel sequer. Que você se sente à vontade pra andar na rua de qualquer jeito, nem que seja de calça jeans e havaianas e mesmo assim você estará a mulher mais maravilhosa do mundo. Que você não sinta vergonha de dizer “eu não sei”, pois ele vai te explicar o que você não sabe. Que ri dos seus risos. É solidário com seus receios. Que acha você idiota nos devaneios românticos. E que gosta da sua idiotice. E que gosta de você, mesmo você sendo uma grande chata de vez em quando. Que queira escutar as batidas que o seu coração dá. E queira andar com você de mãos dadas por aí… Pra qualquer lugar. E que, também, queira trepar muito com você.
— Clarissa Corrêa

Você nunca teve medo. Nem de me perder, nem de que eu seguisse em frente, de que eu enjoasse das tuas birras rotineiras e infantis. Você nunca arqueou a sobrancelha esquerda quando eu observava outro homem, como quando você fazia quando estava preocupado com alguma coisa pessoal. Você nunca sentiu ciúme dos meus amigos, nem de quando eu saía nas sextas-feiras sozinha. Você nunca beijou o meu pescoço e me apertou tão forte que poderia fazer com que as minhas costelas estralassem. Foi falta de cuidado, é isso? Você não se importava tanto quanto eu me importava contigo? Tanto faz. Não que agora já não faça diferença, mas é que… Já passou, não é? Nós não vamos voltar a ser como antes. E isso é exaustivo. Frustrante. Você não sabe mais nada sobre mim. Não sabe de como o meu gosto musical mudou, de que deixei minhas unhas crescerem; você não viu o meu novo corte de cabelo, meu novo sorriso, minhas novas roupas. Você não sabe de como minhas novas amizades te agradariam, da minha nova bebida favorita, ou dos filmes que eu passei a gostar. E o mais importante e relevante: Você não sabe do quanto eu ainda sinto a sua falta. De como eu não consigo mais preencher os meus buracos. De como as noites estão vazias, os dias longos. Do quanto eu me esforcei para me tornar uma pessoa melhor do que era antes, pra você perceber que melhor do que eu não se encontra em qualquer lugar por aí. Mas minhas tentativas sempre foram falhas quando se trata de você. Nada te toca fundo, nada te marca, nada te faz olhar pra trás. Nada é bom o suficiente para te prender. E esse foi o meu erro: pensar que eu poderia te fazer ficar. E foi tão inútil. Nós nunca daríamos certo, de qualquer outra forma. Você poderia ter me amado certo, ter arqueado a sobrancelha esquerda, me abraçado até que minhas costelas estralassem. Tanto faz, não daria. Eu não fui feita pra você. Eu erro, eu tropeço, eu tenho um sorriso torto. E você… é um pedaço do paraíso, droga. Você gosta de voar, e de alçar vôos altos, de nunca mais voltar. E eu sou a garota que é dona duma bagunça interna enlouquecedora. Eu impus obstáculos quando você procurava comodidade. Só não venha dizer que também não sentiu. Que não te fez falta o meu jeito atrapalhado, a minha risada que te fazia sorrir, a minha franja que nunca se ajeitou. Mas você está bem onde está, fazendo suas coisas, retomando a sua rotina, bem, pleno, sem sentir minha falta. Sem deitar na cama com os olhos fechados tentando memorizar os últimos detalhes que ficaram intactos de nós dois. Eu sei que não. Você não é um idiota como eu costumo ser. Taí, essa é a nossa diferença: Você consegue encerrar ciclos, enquanto eu me prendo neles. Tentando voltar praquilo que não deveria mais fazer diferença. Você não fica infeliz quando pensa em mim, e eu fico devastada quando lembro de você. Você não procura meu perfume em outras, dorme com outras, sorri, ri, segue em frente, me esquece… Você vive, eu sobrevivo.  Germana K. (icanbeyourcocaine)   

"Ele passa a mão no seu cabelo enquanto você chora, até mesmo quando o problema é ele. Fica repetindo coisas doces e amáveis o tempo todo. Você acredita porque a mentira é mais suave do que a verdade. Acredita porque essa doçura é rara demais para ser desperdiçada. Você diz que o quer para sempre, mas ele já está pensando em qual vai ser a da próxima semana. A próxima garota que será apenas a próxima que irá sofrer porque, no final, ele vai acabar voltando para você. Todo domingo ele vai lhe ligar com a voz embriagada de quem acabou de acordar às três da tarde – há essa hora, você já vai ter feito mais do que ele fez o mês todo. E vai começar a falar sobre como se arrepende por ter feito de novo aquilo que jurou que jamais faria. Vai pedir para voltar porque no final do dia nenhum cabelo tem o cheiro melhor que o seu. E vai reclamar que essas garotas de hoje em dia não gostam de pegar na mão em público. Mas você gosta. E é por isso que ele gosta de você.Porque ele também faz parte dessa geração-vergonha que não curte pegar na mão durante o cinema, que vai logo para os amassos e o qual-seu-telefone-para-que-eu-nunca-ligue-por-engano. Mas você, não. Você pega na mão durante o filme, a praça, o jantar, o café-da-manhã… Você ama pegar na mão e olhar nos olhos. E ficar horas olhando nos olhos para ver se consegue tirar mais um pouquinho da alma dele. Se consegue desvendar mais um pedacinho desse enigma. E, assim que percebe que está conseguindo, ele vai embora outra vez. Porque nada o apavora mais do que alguém com a capacidade de decifrar seus medos. E você sabe. Você sabe como ele odeia escuro e tem pavor da solidão. Sabe como ele grita para calar o barulho mental que ele possui. Sabe como ele odeia partir tanto quanto você odeia vê-lo ir. Sabe, mas não entende. E por isso jura que não vai atender a ligação no domingo, mesmo sabendo (e não entendendo o porquê) que você vai sorrir quando o nome dele aparecer na tela. É frustrante. Você tem doutorado em defesa pessoal, é PhD em não se deixar abalar por nada. E se derrete toda vez que ele diz seu nome.Por quê? Porque o amor é assim. Ele é fanático por Beatles e você só conhece o refrão de Hey Jude. Ele aprendeu a tocar violão durante um verão tedioso, e você faz piano há sete anos sem aprender nada. Você sabe de cor a ordem de todos os acontecimentos de Harry Potter enquanto ele ainda não terminou de ler o Pequeno Príncipe. Tem tudo para dar errado. Mas, ainda assim, o som da voz dele continua lhe acalmando. Por quê? Porque o beijo dele ainda é mais viciante que qualquer livro que você já tenha lido. Porque os braços dele ainda são o melhor esconderijo do mundo. Vocês não têm nada em comum.Você fala francês e ele palavrão. Ele anda de skate e você ainda não tirou as rodinhas da bicicleta. Não pode ser amor, certo? Errado. Não deveria ser. Mas isso não impede nada. Não enquanto ele continuar ligando todos os domingos para dizer que sente a sua falta."  - Ana F (Salt-Waterroom)

"Eu me declarei pra você milhares de vezes. Quando eu ri daquela sua piada idiota que não teve a menor graça e quando dei risada das piadas de mau gosto que você fez sobre mim. Lembra? Eu deixei você me zoar porque você achava muita graça naquilo, e se te faz feliz… Bom, me faz feliz. Quando eu deixei os outros um pouquinho de lado pra dar toda a atenção pra você. Quando eu ouvi as músicas que você me mandou, mesmo elas não sendo do meu gosto.Lembra… Quando eu tratava todo mundo mal, mas era super gentil com você? Então. Isso também foi uma declaração, mesmo que silenciosa. Quando eu aguentei suas grosserias todas porque você teve um dia ruim. E também quando eu deixei você descontar todas as suas frustrações em mim, mesmo eu não tendo nada a ver. Quando eu te fiz sorrir quando tu chorava por outra pessoa. Quando eu te defendi do mundo mesmo você estando completamente errada. Quando eu deixei de ficar irritado só porque você tava mal e precisando de alguém. Eu me declarei pra você tantas vezes, da minha maneira… Só você que não viu."  - Vinícius KretekVK 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012


E no entanto eu não desato esse laço. Tão apertado, parece forca. — Caio Fernando Abreu


Eu não tinha muito a oferecer, eu sei… Mas tudo o que eu tinha, era seu. Caio Fernando Abreu


“Por favor, não vai embora. Ninguém nunca ficou comigo por muito tempo antes. Eu só me lembro de coisas boas que aconteceram com a gente. Quando eu olho para você eu estou em casa, eu me sinto em casa. Por favor, eu não quero que vá embora. Eu não quero esquecer.”
— Procurando Nemo.